Em 2104, um vídeo de música pop fez com que todos assistissem um pouquinho de dança contemporânea.

O clipe de Chandelier, da Sia, estreou em 6 de maio de 2014 e foi vencedor de vários prêmios, entre eles de Melhor Coreografia, e de várias adaptações e paródias. Estrelado por uma bailaria de 11 anos na época, Maddie Ziegler, que também foi participante do reality show Dancing moms, o vídeo já teve 960 milhões de visualizações.

Mas o que me interessa nesse vídeo até hoje é o processo de criação de uma atmosfera, presente no lançamento do CD da artista, Sia. Ela não é uma artista nova, mas esse cd, 1000 forms of fear, teve uma identidade artística diferenciada.

Como um alter ego da cantora, a bailarina mirim tinha também a função de comparecer a eventos e tapetes vermelhos como a fachada da cantora, que escondia o rosto em todas as aparições e apresentações. A música de lançamento, Chandelier, fala de uma menina popular, que vive cada dia como se fosse o último, bebendo e mascarando sua infelicidade e falta de propósito com uma fachada de festas e diversão inconsequente.

Outro aspecto curioso sobre a estética do CD é que fez com que a cantora, Sia, saísse do foco como imagem, marcando justamente pela ausência, o que é inusitado em um período de tanta exposição das celebridades como o de agora.

A música em si fez sucesso das baladas. Mas o clipe fez com que muita gente que não se comove com dança suspirar e dizer “como essa menina dança”.

A seguir, as apresentações ao vivo traziam performances novas, com convidados como Lena Dunham e Kristen Wiig. Todas elas com um elemento em comum: a capacidade de comunicar uma mensagem não verbal em forma de música e dança.

Uma insatisfação mascarada, a fabricação da felicidade e o questionamento de si. Uma viagem a uma reflexão pessoal e íntima que revela um medo universal: o de não viver a vida plenamente.

O vídeo foi relevado como parte de uma trilogia. O segundo causou tanto furor quanto o primeiro, se não mais. A coreografia igualmente fascinante também é responsável pela manipulação do sentimento do público, que não tem opção que não se envolver com a cena.

No entanto, também causou controvérsias por se tratar de uma dança entre a menina de 12 anos e o ator Shia LaBeouf.

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A minha performance preferida foi a com participação da Kristen Wiig, no Grammy. Ela conseguiu como ninguém captar e transmitir uma ideia da cobrança da passagem do tempo. Com as duas performers vestidas iguais, e interagindo em momentos diferentes, era como se a mais velha lamentasse os anos de vivências superficiais, enquanto a mais jovem aparecia com uma mensagem de redenção. O cenário ambientado em uma casa atulhada de móveis e objetos faz um paralelo com a mente, também saturada de memórias.

Independentemente do sucesso de vendas, popularidade e destino dos artistas envolvidos e do projeto, a lição é que a música pop pode oferecer uma produção artística cuidadosa, que é capaz de comover uma parcela inesperada de público.

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