A artista Viktoria Modesta lançou o clipe de uma música chamada “Prototype” parte de uma campanha chamada Born risky.

Esta artista nasceu na URSS e se mudou para Londres com 12 anos. Estudou música desde os 6 e iniciou uma carreira de modelo aos 15. O que é diferente sobre ela é que aos 20 tomou uma decisão: amputar uma perna, por razões de saúde, para aprimorar a sua qualidade de vida, afetada por erros médicos que a acompanharam desde a infância. De acordo com o site, ela propõe uma reformulação da palavra “deficiência” e se recusa a ocupar um papel de vítima.

A mulher biônica, Viktoria Modesta, em todo o seu glamour.
A mulher biônica, Viktoria Modesta, em todo o seu glamour.

Isso me lembrou o artigo que traduzi recentemente para a revista Cena (disponível para download aqui) em que a autora descreve, sobre o modelo social da deficiência:

“Nós estruturamos a nossa compreensão sobre nós mesmos e de outras pessoas por meio do discurso: pelos modos de saber, pela categorização. Um discurso cincunscreve o que pode ser sabido sobre um assunto. A “deficiência” é uma construção discursiva, tal como gênero, raça ou sexualidade. O discurso é alterado historicamente, e novas maneiras de organizá-lo evoluem.”

O artigo cita diversos exemplos no mundo da dança, no entanto, acho curioso uma manifestação dessa grandeza no mundo pop, que procura atingir uma massa de pessoas e realizar transformações no que é entendido como “deficiência”.

Ainda no artigo: “Para uma mulher que utiliza uma cadeira de rodas, não é o seu corpo ou a cadeira de rodas, mas sim as escadas que a tornam incapaz. As barreiras da arquitetura inacessível, as barreiras de atitude moldadas historicamente para pessoas com deficiência e a discriminação institucional resultante são agora os fatores incapacitantes e não o corpo individual de uma pessoa. Dentro destes termos, a deficiência se torna uma questão social e ambiental e não médica.”

Uma mudança social, ideológica e pedagógica que derrube essas barreiras institucionais é o que se constrói com essas produções artísticas. Além do projeto musical, a Viktoria fez parte de outro projeto chamado “Alternative Limb Project”, da artista Sophie de Oliveira barata, em 2011, que desenvolveu próteses artísticas com uma proposta de celebração da diversidade da forma humana.

Kiera Roche usando a prótese desenvolvida pela artista Sophie de Oliveira Barata. Foto de Rosemary Williams.
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