Amanda Trusty é o nome de uma bailarina e professora de sapateado que fez uma performance que confronta a questão da imagem corporal na dança (e na vida). Ela fez um blog para falar da sua experiência como bailarina que assumiu um distúrbio alimentar e que trilha um caminho para reconstruir a saúde e o amor-próprio.

Quem nunca passou por isso? É difícil fechar os olhos para o padrão de beleza em qualquer indústria, mas quem trabalha com o corpo, se vê dividido entre o cuidado obsessivo com a sua ferramenta de trabalho e a liberdade do parque de diversões da dor e da delícia de ser o que se é  (porque o corpo é local de experiências de todos os tipos, as divertidas, as assustadoras e até as autodestrutivas…).

Mas o que eu mais gostei foi a sessão de fotos que trata da divulgação da prática de Yoga. A grande maioria mostra o corpo malhado e supostamente perfeito. Eu mesma tinha uma má impressão sobre Yoga por julgar que só aquele tipo de corpo era convidado a fazer a prática.

A Amanda fez um post no blog, em que divulga a sessão de fotos feita por um amigo para mostrar que o corpo dela, no estado atual, com sobrepeso, é capaz de fazer as mesmas coisas que o corpo sarado da revista faz. O estado do meu corpo atual é bem parecido com o dela, o que me fez mais confiante para seguir a minha prática e me sentir menos envergonhada por estar com sobrepeso. (Porque é isso o que acontece quando se está numa sala de aula de dança, por exemplo, e se é a mais “gordinha”.)

Além disso, é muito fácil desencorajar uma pessoa com sobrepeso ou com estilo de vida sedentário a começar a se exercitar, se só o que ela vê são corpos muito diferentes do dela fazendo as atividades, porque cria a ilusão de que ela não é parte daquela comunidade.

A grande verdade é que a educação para o movimento deveria privilegiar a ideia da SAÚDE PELA SENSAÇÃO e não pela imagem. Qualquer pessoa pode começar a se exercitar hoje, e daqui a um ano estar com o peso parecido ou não atingir o corpo sarado da revista, no entanto, os benefícios para a saúde/sensação corporal são incríveis.

Grande parte do meu amor pelo bambolê é o fato de que ele inclui todos os tipos de corpos na sua comunidade. Eu comecei a praticar justamente por me sentir parte de alguma comunidade de dança novamente.

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