Diversidade racial e corporal foi o que o estilista Rick Owens apresentou no seu desfile da coleção de Primavera. Dançarinas-modelos negras, com corpos cheios subiram na passarela não somente para desfilar as roupas, mas também para dançar. Um grupo de step dance* ocupou a passarela com uma formação quase militar, em uma marcha enfurecida e agressiva de mulheres grandes, fortes e sisudas. É uma subversão da imagem de passarelas com modelos magras, brancas e com expressões neutras. A dança é fantástica. Forte, marcante, precisa. As roupas da coleção da Primavera são exibidas por estes corpos potentes, e mostra que qualquer corpo pode fazer moda. Aqui o slide show com todos os modelitos. Aqui também, em inglês, entrevista com uma das dançarinas que disse, entre outras coisas:

“A parte mais surpreendente dessa experiência foi que em nenhum momento nos fizeram menos bonitas ou inadequadas pelo nosso tipo físico, ainda que a nossa existência passe bem longe da normas do mundo fashion.”

Não é de hoje que a moda e a dança conversam, desde que em 1924 Coco Chanel foi a figurinista escolhida para a obra Le train bleu, do Ballet da Rússia. Além da famosa estilista, a produção contou com Jean Cocteau como libretista e Pablo Picasso como pintor das cortinas. Foi uma reunião marcante de gênios nas suas respectivas formas artísticas para a produção de uma dança.

*termo genérico que denomina uma dança que usa principalmente os passos com os pés, por isso step. É deste gênero que origina o sapateado. 

Foto do site: behindballet.com

Também marcante é a reunião do coreógrafo Cunningham com a estilista Rei Kawakubo, da marca Comme des Garçons. Nesse caso,  o espetáculo de dança Scenario, de 1997, contava com figurinos que subvertiam as formas corporais, criando desenhos no espaço de corpos deformados. Esta pareceria foi a resposta da estilista para uma experiência entediante no mundo fashion e originou o desfile da sua coleção do mesmo ano Body Meets Dress, Dress Meets Body.

Imagem do site fashionprojects.org

No entanto, nenhum desses casos reúne os elementos da proposta de Rick Owen, que é a dança tomar o espaço da passarela, e utilizar os corpos das bailarinas como modelos, além de este elenco ser composto por maioria negra.

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