As Canções Que Você Dançou Pra Mim3Este espetáculo de dança na programação do Poa em Cena é da Focus Cia de dança do Rio de Janeiro e faz homenagem à obra de Roberto Carlos.

Assisti com a minha mãe, pensei que ela poderia gostar, e não estava errada. Mas não foi só ela. À primeira vista tive aquela ideia do Roberto Carlos como brega, como o Rei que tem o seus especial todo final de ano na Globo e só usa cor branca ou azul (um pouco de transtorno obsessivo compulsivo).

Vencido o preconceito inicial, achei um ótimo exemplo de como a dança contemporânea se presta para expressar um ideal, em uma narrativa abstrata. Um dos recursos que me chamou a atenção foi que o pout-porri de 72 músicas tinha um fio narrativo a partir de palavras que davam nexo à sequência escolhida. O elenco todo usava variações de azul e eram todos muito virtuosos.

Ao procurar lugar no teatro lotado, escolhi uma cadeira na primeira fila, e minha mãe disse “desde que não tenha aquelas coisas com interação com o público” e eu disse “ah, não deve ter”. Mas tinha. E em dado momento um bailarino chamado Márcio, desceu (assim como outros que se espalharam pelo teatro) e perguntou se já tínhamos nos apaixonado, se já tínhamos amado e qual era a diferença.

Essa temática do amor, paixão, ciúme era obviamente bastante presente. Foi realizada de forma interessante, provavelmente a cena mais marcante de todo o espetáculo é o duo em que os bailarinos dança o tempo inteiro com as bocas grudadas em um beijo que não acaba nunca.

Fotos: Cintia Pimentel / Daniela Narder / Divulgação

No final de tudo, alguns bailarinos jogavam rosas para o público que aplaudia freneticamente, uma bailarina tinha os olhos marejados de muitas emoções e o público também, estava completamente hipnotizado.

Virtuosismo técnico aliado à uma composição criativa que se apropria de uma obra musical que vive no imaginário popular: muito bem realizada e emocionante para todos os envolvidos. Brega ou não, o amor nunca sai de moda.

Aqui tem um trecho do espetáculo no Youtube.

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