Semana passada, Porto Alegre testemunhou um festival de música que propunha a colaboração como tema central. Entre concertos, palestras e oficinas, uma seção especial Música de Risco, propunha três cenários distintos: Música improvisada, música invasiva e músicadança. Participei deste último que é descrito como

“A proposta deste espetáculo é congregar e estimular as potencialidades individuais de seus participantes, de maneira que a sua mise-en-scène seja resultado de uma interação criada em um curto espaço de tempo entre músicos e bailarinos. Os produtos dessa interação (cenas, composições, improvisações, coreografias) serão orquestrados para dar origem ao espetáculo (ainda sem nome), que será dirigido por Andrea López e Fernanda Boff no dia 14/08/ 2013, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mário Quintana.

Me inscrevi por dois motivos: Sou amiga e colega da Andrea e da Fernanda e confio muito no trabalho de ambas e tenho uma busca em andamento por experiências transformadoras em dança. Este parecia um evento perfeito.

Não foi sem receios que cheguei no primeiro ensaio, afinal, trabalhos em grupo sempre envolvem o processo de se expor, e todos carregamos inseguranças e medos. No entanto, as diretoras propuseram dinâmicas de grupo inusitadas para quebrar o gelo e tornar o ambiente seguro para a nossa interação que seria curta, mas intensa.

Em todo o trabalho de grupo há dissonância de tons. Então, sempre há aqueles que se sobressaem, que falam demais, ou de menos. Aos poucos o grupo foi se afinando. Depois de um dia de trabalho (3 horas) tínhamos uma ideia bastante vaga de como expressar essa ideia do encontro entre músicos e dançarinos.

No encontro seguinte, tivemos uma direção mais presente e pontual, o que foi essencial para podar e moldar as ideias até então muito galhudas e ter cenas mais consistentes.

Mas essa é a descrição fatídica do processo. A parte afetiva é que me senti muito bem na posição de performer, coisa que é raríssima. Não precisei de grandes preparações psicológicas e estava feliz em estar no palco com um grupo de pessoas, coisa que também não faço com regularidade.

O processo colaborativo se mostrou grávido de muitos frutos. Para mim, o mais suculento de todos é a ideia de que é possível trabalhar em grupo de forma agradável, e que e possível orquestrar um grupo de egos. Acho que é um caminho de risco, como o nome já dizia, mas são esses riscos que geram os sentimentos de conquista e plantam sementes para coisas ainda mais arriscadas.

Registro da apresentação

A imagem é da notícia da página do IEAcen.

 

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