Há uma discussão entre artistas, dançarinos e professores sobre dança ser uma terapia. Há quem diga “dança pra mim é terapia” e quem diga “dança é arte, e não terapia”.

A minha opinião é que os dois lados estão corretos. Há motivos pelos quais dança é terapia e motivos pelos quais não é. Quando um artista tem uma visão e quer realizar aquela visão usando dança, não é terapia. É arte.

No entanto, quando uma pessoa realiza uma atividade de forma sistemática com o único propósito de se sentir bem, aí podemos dizer que é uma atividade terapêutica, porque é uma busca pela manutenção da saúde e bem-estar físico e mental.

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Para mim, a dança com bambolês pode ser terapia porque:

1. É um encontro com si mesmo: eu pratico essa dança no conforto do meu quarto ou da sala do meu apartamento e é uma maneira de confrontar o meu humor do dia, da semana, do mês. É onde eu consigo externar meus sentimentos de forma criativa. Por ser algo que faço sozinha, tenho mais liberdade para me expressar sem medo do julgamento alheio.

2. É uma atividade que estimula a autonomia: Algumas danças não se pode fazer sozinho, como salsa ou balé. No entanto, essa dança pode ser aprendida e construída sozinha. Claro, cada pessoa tem um limite do que pode aprender sozinha, e professores são necessários para refinar uma técnica e ampliar o conhecimento sobre o corpo e seu funcionamento. Mas qualquer um que já tenha feito alguma atividade física, é capaz de pegar um bambolê e criar a sua maneira de usá-lo. O termo autonomia é derivado do grego auto, que significa próprio, e nomos, lei, regra ou norma, ou seja, é um princípio de autogoverno, em que o indivíduo encontra liberdade para definir suas próprias regras. A maioria das danças já vem com um conjunto de regras estabelecido, mas com o bambolê é possível fazer a sua dança.

3. Também é uma atividade que estimula a socialização: Paradoxalmente, saindo do conforto do meu quarto e chegando em qualquer lugar público com bambolês, sempre sou alvo de comunicação espontânea. Logo, quando me sinto sozinha, posso simplesmente usar os bambolês como ferramenta de socialização. É sempre gratificante compartilhar o que eu sei com outras pessoas, e ela sempre ficam felizes também. Logo, é um momento de encontro e participação espontânea cujo resultado é sempre felicidade compartilhada.

4. É um antidepressivo natural: Como atividade física, produz endorfina, o hormônio responsável por controlar a dor, gerar sensações prazerosas, de euforia e bem-estar, melhorar a memória, a concentração, a imunidade e prevenir o envelhecimento. É a maneira do corpo de gerar alegria.

5. É uma experiência de plenitude pelo movimento: O corpo foi feito para o movimento. O estilo de vida atual se encaminha para cada vez mais sedentarismo (o “conforto” da cadeira, as invenções que tornam tudo automático e poupam o corpo do trabalho etc). Isso diminui a experiência cotidiana de movimento e das experiências de corpo que isso traz.

O corpo humano é vivo, intersubjetivo, orgânico, histórico, sexuado, capaz de criar, de imaginar, de pensar, de sentir dor e prazer, de trabalhar, de festejar e ficar ocioso, provocar encontros e desencontros, capaz de se comunicar até mesmo pelo que silencia, de atribuir sentido às suas experiências vividas, de construir e reconstruir valores. […] O corpo humano é totalidade e abertura, um ser bruto em constante metamorfose, situado em relações de poder, capaz de ser dominado e tomar decisões, de ser retificado e de realizar acrobacias  (MENDES, 2007, p.126).

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MENDES, M.I.B.S. Mens Sana in Corpore Sano: saberes e práticas educativas sobre corpo e saúde. Porto Alegre: Sulina, 2007.

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