Muitas empresas de bambolê partem da premissa de que suas fundadoras emagreceram fazendo bambolê. A HoopGirl, Christabel Zamor conta a história da doutoranda em antropologia desajeitada e gordinha que se transforma em musa sensual dançante. A Gabriella Redding da Hoopnotica parte do corpo pós-parto de dois filhos para fitness e felicidade familiar.

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E não vamos esquecer das celebridades: Catherine Zeta Jones, Kelly Osbourne, Marisa Tomei, Beyoncé e a primeira-dama Michelle Obama que promoveu uma campanha anti-sedentarismo nos Estados Unidos em que aparece rodando um bambolê.

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Na verdade, o bambolê ajuda, sim, a emagrecer por se tratar de um exercício cardiovascular. Pesquisas comprovaram que uma hora de bambolê gasta em  média 400 calorias. Então, bambolear emagrece, sim.

Mas a questão é que emagrecer não é somente uma questão de exercício físico. Afinal, caminhar, correr, pular corda, lutar boxe, dançar ballet, todas essas coisas também ajudam a emagrecer.

Um dos vídeos que eu mais gosto que mostra a transformação de bambolê e emagrecimento é o desta menina aqui.

Na descrição do vídeo ela deixa bem claro: “Eu emagreci ao realizar mudanças de estilo de vida! Mudei meus hábitos alimentares e comecei a praticar exercício todos os dias. Comecei a correr e fazer exercícios de reforço muscular 6 dias por semana. O bambolê eu faço por hobby, é uma paixão, uma arte, uma forma de expressão pessoal. Nunca foi e nunca será exercício para mim. O bambolê não é a causa para o meu emagrecimento. Ele é a minha inspiração para acreditar que isso é possível!”

Esta outra menina também coloca vídeos seus e explica como ela NÃO emagreceu fazendo bambolê. Ela fala bem mais detalhadamente sobre ter perdido peso fazendo exercícios, se afastando de pessoas negativas e aceitando o seu corpo do jeito que é. Ela diz que a motivação principal para começar a bambolear, não era a pretensão de emagrecer e sim porque parecia divertido.Kelly1

Tudo isso porque eu mesma tenho um depoimento. Comecei a bambolear em 2010. Não porque quisesse emagrecer e, sim, porque era muito legal. Eu descobri que existia toda essa técnica com truques e vídeos na Internet e que havia também uma comunidade que celebrava todos os tipos de corpos e qualidades de movimento.

A minha história com dança, começou desde cedo: ballet, jazz, sapateado, contemporâneo. E no cenário da dança ser magra é um imperativo.

Fazia um tempo que eu me sentia deslocada e rejeitada por ser mais curvilínea que a maioria das meninas nesse meio. Logo, o bambolê foi uma maneira de me sentir aceita em algum grupo.

Assim, eu quis voltar para o cenário da dança com essa novidade: o bambolê é uma opção para qualquer corpo, em qualquer idade e em qualquer forma física. Todos podem participar. Voltei a estudar no curso de Graduação em Dança e comecei a espalhar a ideia.

Mas nunca perdi peso com isso.

Até que em 2013 me inscrevi em um programa chamado Successful Weight Loss School, cujo objetivo é promover uma mudança de estilo de vida. (isso porque eu seguia de longe a fundadora, Nichole Kellerman, e sabia que a proposta dela envolvia muito mais que emagrecer.)

E foi aí que aprendi que o mais importante não é a perda de peso, e sim, a mudança no foco. Quem passa tempo demais olhando para a balança, perde de ver as coisas lindas de si mesma que não estão ali, mas em todo o resto.

Eu passei tempo demais ouvindo as vozes que reforçavam negativamente o meu estado de corpo e precisava de uma reforma mental, antes de física.

Hoje estou na metade do programa e nem sei se emagreci porque isso não é importante. O importante é:

1. Eu sei fazer escolhas sábias na hora de me alimentar, pois quero tratar meu corpo da melhor maneira possível.

2. Eu sou inteiramente responsável por minhas escolhas.

3. Eu me movimento por prazer, não por obrigação.

4. Eu sei escutar meu corpo, respeitando quando ela quer se exercitar e quando ela quer descansar.

5. Eu conheço várias formas de me exercitar (minhas preferidas são Yoga, caminhada, bambolê e corrida)

E por isso que eu concordo com as meninas que tem o bambolê como hobby e não como uma forma de emagrecer, porque considero isso uma forma limitada de ver o mundo. Durante o desafio 30/30 em que fiz bambolê durante 30 dias por 30 minutos, perdi 5 cm de cintura. Posso ter aumentado alguns cm de volta nas semanas seguintes. Perdido de novo nas próximas. Isso não é o que revela o meu nível de felicidade.

A minha felicidade está em ter um corpo que conhece suas potencialidades e é livre para ter experiências.

Então, quando me perguntam se fazer bambolê emagrece eu sempre penso “emagrece, sim, mas o importante é que te deixa mais feliz e o peso ou número da calça perdem a importância.”

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