O Japão lançou o seu primeiro concurso de Hoopdance e eu tenho alguns comentários a fazer sobre isso:

Primeiro, fiquei empolgada pensando que finalmente o Japão iria se juntar à comunidade global praticante de Hoopdance que inclui comunidades online, tutoriais gratuitos por vídeo e etc. Eu tenho um carinho especial pelo Japão, por ser um país com tradições artísticas tão evoluídas. As formas de arte no Japão são do marcantes pela união com a vida  e experiência do cotidiano, portanto, encontramos a arte dos arranjos de flores, a cerimônia do chá, danças populares em festivais, por exemplo.

No entanto, me surpreendi ao verificar algumas diferenças na natureza do concurso. Primeiro, o custo. As inscrições custam o equivalente a R$35,00, o que não é caro e parece dar um tom de seriedade. Além disso, as regras exigem que o vídeo seja gravado na íntegra, sem o uso de efeitos de zoom, cortes, legendas, ou qualquer alteração.

Isso me deixou um pouco intrigada, porque na minha opinião de observadora do Hoopdance em outros países, as grandes inovações visuais que o video-dança oferece casam muito bem com a dança com bambolês. E como os praticantes – que podem ser artistas, ou praticantes casuais – participam da comunidade por meio de vídeos compartilhados na Internet, nada mais natural que evoluir a forma.

Segundo, o júri. O júri é composto por 7 pessoas, incluindo uma bailarina profissional,  um artista de contato, um cineasta, uma professora de Hoopdance (formada pela Christabel Zamour, atuante no vídeo da Marisa Tomei e vencedora de um Hoopie Award em 2008), um artista de Poi, o Philo Hagen do Hooping.org e um professor emérito da universidade de Tóquio, da área de antropologia cultural. O que chama a atenção, novamente, é a seriedade com que o júri foi composto.  Uma pessoa de cada área que parece pertinente para a avaliação total. Um cineasta, por exemplo, que vai avaliar vídeos que não podem conter nenhuma alteração estética. Parece tão sério!

E me faz pensar em como talvez essa seja a chave para todo o código artístico no Japão: seriedade. É por levar tão a sério o ato de tomar chá que ele seguiu o caminho de se tornar um ritual altamente codificado e filosófico. Ao mesmo tempo, é uma cultura que parece mais à vontade com o que se percebe aqui como coisas “infantis” (ursinhos de pelúcia, penduricalhos para celular da Hello Kitty e coisas “fofinhas”). E justamente por isso, achei que o bambolê poderia combinar muito bem com os japoneses, apesar de utilizar os movimentos de pelve que podem ser considerados eróticos demais.

De qualquer forma, continuo empolgada para ver o que o contato japonês pode gerar para o Hoopdance (se não agora, daqui a alguns anos). Vou assistir aos vídeos também e comentar, nas próximas semanas.

Foto do site do concurso onde está explicado:

“Pode-se ver que, seguindo a tendência nos Estados Unidos e Europa a hoop dance está ganhando popularidade no Japão como forma de arte performática que usa o bambolê. Tendo vindo de cenas como festivais e arte de rua, ela agora se tornou uma forma diversa de expressão artística.

Por outro lado, como resultado da ênfase nas práticas e relações livres, o hoop dance japonê ficou sofrendo de uma falta de unidade como cena.
Desta forma, não pode se dizer que o hoopdance atualmente apresente uma situação atraente comparada às cenas de outras danças e artes performáticas.”

 

japan

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