nick guzzardo hoop convergence

Primeiro, eu assisti à performance do Nick Guzzardo que parece estar causando grande alvoroço.

Fiquei especialmente interessada pelo o uso do plano baixo. É uma face do bambolê ainda pouco explorada, que começou com a Brecken Rivara, mas parece estar florescendo cada vez mais. Também me agrada profundamente a maneira como ele construiu uma espécie de narrativa que começa com o bambolê na cabeça. É um movimento que vai ganhando outras dimensões e significados à medida que a performance vai se desenvolvendo. É notável que ele parece ter resquícios de dança de rua nos movimentos e na linguagem corporal, o que é sempre fascinante, já que dançarinos dessa modalidade geralmente apresentam um espectro bem amplo de movimentação. Não é à toa que é aí que nascem novas maneiras de dançar, o pessoal não tem medo de se arriscar. O menino é realmente virtuoso e tem muito a contribuir para a cena performática e exploratória do bambolê.

hoop convergence tiana

Depois, assisti à performance da Tiana Zoumer, que foi uma das minhas grandes inspirações quando comecei. Isso na época em que ela ainda tinha cabelo longo e vermelho e fazia suas explorações no quintal de casa. Hoje ela é referência na modalidade e cada vez mais ultrapassa barreiras. O que mais me chamou a atenção na performance dela foi o uso do bambolê maleável. Sempre é notável a maneira precisa e veloz com que ela manipula o bambolê (me faz pensar em robôs). Mas é engraçado porque com o cabelo raspado, ela também me faz pensar em monges tibetanos. Então, um monge tibetano robô é uma imagem bastante peculiar. Sem dúvida o primeiro momento clímax da apresentação dela foi o salto no momento 1:30, que é onde o público se emociona e grita. E depois quando ela troca de bambolê, e mostra que, de fato, ela mora na Matrix.

http://https://www.youtube.com/watch?v=wQBhQX6YmVM

Lembro de em outras épocas assistir essas performances e me deprimir de certa forma, porque  não conseguiria chegar nesse nível tão rápido. Hoje eu não me obrigo mais a chegar em nível nenhum, e me contento em aplaudir essas performances inspiradoras, e, de vez quando, experimentar alguma das coisas que vejo essa gente inventar. Acho particularmente instigante a ideia de explorar os níveis alto e baixo.

Anúncios