O Bambolê Brasil foi o primeiro encontro a reunir entusiastas do Bambolê para um intensivo de oficinas e compartilhamento de ideias. Foi também um espaço para que quem trabalha com bambolês pudesse conhecer o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Brasil e de fora. Eu mesma ofereci uma oficina em que misturo elementos de Ed. Somática com o bambolê. Mas a seguir, quero comentar as minhas duas oficinas preferidas:

Bárbara Francesquine – Criação e Coreografia:

Essa oficina teve duração de três horas e nessas três horas, tivemos uma variedade bem grande de atividades, no sentido de ser em grupo, em duplas e individual. Atividades focadas especificamente na construção do movimento e na sua velocidade. Explorando sentimentos e expressão, e a relação com o espaço. E por último, a elaboração de uma narrativa, com movimentos. Em primeiro lugar, essa foi a oficina mais bem-estruturada em termos de conectar todas as coisas trabalhadas, além de ser capaz de suscitar maneiras diferentes de utilizar o movimento, ou mesmo de pensar no movimento cotidiano (“e se esse mesmo movimento quiser expressar x, ou y”, ou qual o melhor movimento para expressar x ou y?). Essa parte, que eu vou chamar de mental, foi deslumbrante, justamente porque demonstra um casamento perfeito entre a dança contemporânea e o bambolê. Essa parte posso dizer que é como se tivessem tirado uma cortina e eu passasse a ver as coisas com mais foco, ou que organizassem certos pensamentos em gavetas. No entanto, a parte de execução em si foi muito difícil. Além de ser bastante tempo com atividade puxada demais para o meu condicionamento físico atual, a mente também cansa. Claro, somado a isso, tem o meu problema pessoal de evitar situações em que eu devo me expressar. É engraçado pensar que por um bom tempo, eu dancei em grupos e cias, e expressei a vontade alheia com boa vontade, mas a partir do momento em que eu decidi que deveria expressar o que eu quisesse, eu simplesmente amarelei.

Deby Dai – Inspiração e Flow:

Já a oficina da Deby, do ponto de vista físico, foi bem menos puxado. Não exatamente bem menos, mas pelo menos era livre, então, o passo de cada um regulava o desgaste aceitável. O trabalho da Deby focava na relação do movimento com os elementos e criava uma aura bem mais íntima. Na verdade, eu tranquilamente qualificaria essa experiência como transcendental, uma vez que eu senti como se eu estivesse explodindo por dentro e irradiando energia, uma coisa que está além do racional.

E essas foram as duas oficinas preferidas do Bambolê Brasil. Uma das vantagens de ter participado desse evento foi justamente ver a diversidade de trabalhos possíveis com o bambolê. Apesar de ter admirado profundamente o trabalho dessas duas instrutoras, e por isso, foram as minhas preferidas, eu não consigo me ver realizando um trabalho nos mesmo moldes, o que é bem útil para que eu consiga estabelecer melhor os meus objetivos como instrutora. Como digo faz algum tempo, o trabalho que eu mais gosto mesmo, é o trabalho mais básico, com iniciantes e inexperientes, que procuram uma alternativa aos métodos tradicionais de exercício. Mas não consigo me ver realizando um trabalho do mesmo nível que foi apresentado, simplesmente porque não é esse o meu objetivo, no fim das contas. É por isso que eu tenho questionado bastante a minha metodologia e o que eu realmente pretendo alcançar com o passar dos anos. =D

Bambolê Brasil, Oficina da Deby Dai.
Bambolê Brasil, Oficina da Deby Dai.
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