Desde que eu comecei a praticar essa dança com bambolês, mudei muitas opiniões sobre dança. Na verdade, não é que mudei, e sim, fiquei confusa. Até então, sempre havia dançado no sentido mais convencional, com coreografia e tempos marcados, ensaios e um resultado esperado. Depois disso passei a me questionar sobre por que a gente dança e o que a gente quer com a dança que a gente dança. Até agora penso o seguinte:

1 – A gente dança porque é bom dançar; A dança evoluiu de uma prática social para uma prática artística que envolve técnicas avançadas e objetivos ”nobres” (ex. impressionar o rei, ou a corte). O que eu quero fazer hoje é poder usar a técnica para aproveitar a parte boa de dançar. (e passar essa ideia para os meus alunos e alunas.)

2 – Existem muitas técnicas diferentes no mundo. As que andam me atraindo mais são aquelas que usam improvisação. Por quê? Eu não sei muito bem, mas acho que é justamente pela parte em que isso pode manter o espírito de ”jogo” na performance (Seja jogo com a música, ou com as outras pessoas que estão dançando, ou com aquele dia, aquele momento. Afinal, cada dia estamos com uma sensação e presença diferentes).

Esse semestre fizemos 3 apresentações (em um palco, com música etc) juntamente com outras experiências mais urbanas (encontros de bambolês etc).

Na primeira improvisação, estávamos em grupo. Eu estava menos nervosa, justamente por estar dividindo o palco com amigos e por não me sentir inteiramente responsável pela parte do ”tenho que mostrar algo sério/artístico/interessante” para essas pessoas.

Na segunda improvisação, eu estava sozinha. Eu estava muito nervosa e senti que fiz menos do que havia planejado, ou que o meu nervosismo atrapalhou a sinceridade da minha performance. Por se tratar de um evento acadêmico em que eu conhecia muita gente que estava no público, isso pode ter sido um fator relevante, psicologicamente.

Na terceira improvisação, no mesmo evento, estávamos em duas. Me senti bem mais à vontade, mas os fenômenos familiares à improvisação apareceram (“não sei mais o que fazer” e ficar na zona de conforto).

Ainda temos mais apresentações neste final de semana, então, dá tempo de assimilar essas coisas e partir para a próxima experiência. Outra questão que me preocupa é sempre a do público. O público com um olhar treinado para certas coisas, pode reagir com estranhamento à nossa proposta de apresentação.

Já nos experimentos ao ar livre, por me sentir menos pressionada em termos de resultado, tenho tendência a ser muito mais verdadeira e presente. Tenho gostado mais da minha performance e me divertido mais também, em situações de menos ”seriedade”, ou seja, sem um palco e pessoas na frente, esperando alguma coisa.

Sempre me pergunto por que isso acontece e se, por acaso, isso significa que eu perdi o gosto pela experiência de palco.

 

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